14/04/2019

[Curiosidades] O que é WikiLeaks?




Nos últimos dias, dois assuntos chegaram à mídia e alcançaram proporções inimagináveis: WikiLeaks e documentos vazados. Na quinta-feira, 11 de abril de 2019, o ativista australiano Julian Assange foi preso na embaixada do Equador, em Londres, após perder o asilo político. Mas, antes de entender por que isso aconteceu, vamos até o começo dessa história.
Em 2006, Julian Assange fundou o WikiLeaks, uma organização internacional sem fins lucrativos, sediada na Suécia. Apesar do nome, não tem nenhuma relação com a Wikipédia. Julian criou o WikiLeaks com o objetivo de divulgar ao mundo documentos oficiais e qualquer outro segredo que deveria ser revelado ao mundo, mas não foi, como documentos governamentais, crimes, etc, com a garantia de que a identidade de quem postasse tal notícia fosse preservada.


Mas claro, cada documento postado lá é devidamente avaliado, para que apenas informações 100% verdadeiras sejam compartilhadas. Não adianta escrever um artigo dizendo que você é descendente de Atlântida, se você não tiver como provar isso.

Os esforços de Julian deram certo. Não demorou até que o famoso jornal The Guardian publicasse algo que havia vazado no WikiLeaks. O famoso grupo hacker Anonymous também contribuiu. Em 2008, eles hackearam o e-mail particular da então candidata à vice-presidência dos EUA, Sarah Palin.



Se era fama global que Julian queria alcançar, conseguiu isso facilmente. No ano de 2010, um ex-soldado das Forças Armadas dos EUA postou no Wikileaks documentos ultrassecretos do governo, e até mesmo um vídeo, cujo conteúdo era um helicóptero norte-americano atirando contra jornalistas em Bagdá, no ano de 2007. O ex-soldado acabou sendo preso, mas seu ato desencadeou algo sem fim. Foi o estopim para que vários jornais e outros sites também consultassem o WikiLeaks para vazar documentos e informações sigilosas. No mesmo ano, vazaram milhares de documentos referente às operações americanas no Afeganistão.

Abaixo, você pode conferir uma série de itens que já foi divulgado no WikiLeaks (caso queira conferir tudo, clique aqui):

7 de novembro de 2007: manual de procedimento operacional de Guantánamo;
5 de abril de 2010: o vídeo dos civis e jornalistas sendo metralhados por um helicóptero militar dos EUA em Bagdá;
1º de dezembro de 2011: documentos que expõe 160 empresas que atuam no setor privado de vigilância;
7 de outubro de 2016: 58 mil e-mails do líder de campanha de Hillary Clinton à presidência;
16 de fevereiro de 2017: ordem de espionagem da CIA para a eleição presidencial francesa de 2012;



Claro, tem mais uma série de coisas, mas não para por aí.

Com tanta coisa divulgada, os EUA (e outros países) logo se interessaram por ter a cabeça de Julian em uma bandeja. Em maio de 2012, Julian foi condenado à extradição para a Suécia, pelo governo britânico. Ele foi acusado de assédio. Os documentos foram arquivados, mas ele ainda temia que algo pior pudesse acontecer. Ele não apareceu no tribunal, e acabou procurando asilo político na embaixada do Equador, em Londres. Na época, o site do WikiLeaks ficou sob ataque durante uma semana.

Segundo o The Guardian, na noite de Natal de 2017, Julian planejava uma fuga para a Rússia, onde não precisaria enfrentar nenhuma extradição, mas o plano acabou não dando muito certo. O suposto envolvimento dele com o governo russo sugere que ele teve forte influência numa possível ingerência russa nas eleições americanas de 2016. Agentes da GRU (inteligência russa) teriam hackeado os servidores do Partido Democrata e enviado e-mails ao WikiLeaks, que teriam prejudicado a então candidata à presidência, Hillary Clinton. Assange nega ter recebido qualquer documento sobre o assunto.

O asilo político de Julian Assange acabou, após sete anos. Sem fuga, sem disfarce. Julian saiu pacificamente, pela mesma porta que entrara, anos atrás. O Equador retirou o asilo político porque o ativista teria violado convenções internacionais. O pai de Julian solicitou que o governo australiano extradite-o mas, até agora, não houve pronunciamento. A ONU, inclusive, teria solicitado que ele sofresse punições legais.



E foi então que todo o rebuliço começou. Julian Assange havia divulgado que, caso fosse preso, o WikiLeaks liberaria uma série de documentos confidenciais. E ele não estava brincando. A quantidade de documentos divulgados é absurda. Esses foram alguns dos tópicos divulgados:

Cientologia;
FEMA (Agência Federal de Gestão de Emergências dos EUA);
Valut 7 (série de documentos que detalha atividades da CIA, que supostamente faria vigilância eletrônica a partir de smartphones e smart TV's);
Documentos sobre Afeganistão e Iraque;
Documentos sobre o Clube Bildeberg;
Lista de participantes do Bohemian Grove;
Manual de manutenção de um Boeing;
Um caminhão da Coca teria atropelado e matado 10 crianças na Tanzânia, em 2007;
FBI e ecoterrorismo;
Documentos sobre a investigação do caso Madeleine McCann;
Roteiro de Indiana Jones 4;
Tráfico de drogas dentro do exército americano;
Símbolos que o FBI considera como "símbolos de pedofilia", para encontrar possíveis pedófilos;
Arquitetura dos foguetes da NASA
Angela Merkel, chanceler alemã, tendo sigilo bancário desconfinado;
Mapas de áreas militares dos EUA;
Crimes de guerra da Blackwater (empresa militar privada)

Sim, com o passar dos anos, também divulgaram muitas coisas sobre o Brasil:

Os EUA não botavam fé que a Copa de 2014 seria realizada a tempo. Nem as Olimpíadas de 2016;
Em 2005, foi revelado que o Brasil foi procurado para receber refugiados de Guantánamo, mas rejeitou;
Há a probabilidade que o Brasil mantenha operações antiterroristas, com a ajuda dos EUA. Um relatório de 2009 cita um membro da Al Qaeda preso pela Polícia Federal em São Paulo. O país os prenderia por qualquer outro motivo, menos terrorismo, para evitar chamar a atenção da mídia e dos altos escalões do governo;


E isso não é nem 1/10 de todos os arquivos que foram liberados com a prisão de Julian. E há muito mais coisa. É sabido que, caso Julian seja morto, dezenas de outros arquivos serão liberados. Claro, de forma alguma nós queremos que isso aconteça, mas os arquivos já existem, e podemos especular sobre eles. Vocês têm alguma opinião sobre o que podem ser esses arquivos?


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