03/01/2019

[Crítica] Um Contratempo


Todo mundo tem o filme "dar o braço a torcer". É aquele filme que todo mundo assistiu e disse que amou, mas você tem suas dúvidas e não dá o braço a torcer. Porém, quando você finalmente para de enrolar e assiste o dito cujo, se surpreende com uma história incrível e inesquecível.

Um Contratempo é o meu filme "dar o braço a torcer".

Você é um empresário respeitado, com o mundo na palma de suas mãos, mas uma série de decisões erradas podem colocar tudo em risco: seu trabalho, sua família e sua liberdade. Essa é a vida de Adrián Doria. Um empresário que alcançou o topo do mundo e, tempos depois, acordou num quarto de hotel, e foi acusado de matar sua amante, Laura. Ele nega com todas as forças que tenha feito isso, mas não foi o bastante para evitar que sua carreira fosse destruída.

Ele fica preso durante um tempo, sua esposa vai embora com sua filha e ele está em prisão domiciliar. Porém, há mais uma carta na manga. Uma carta que pode mudar todo o jogo. Sabendo que não pode fazer esse trabalho sozinho, o advogado de Adrián contrata uma das maiores advogadas de defesa da Espanha para ajudá-lo.

E é aí que tudo começa a não fazer sentido. Várias versões do crime são contadas, incluindo um outro crime, extremamente importante para o rumo da história. Pouco a pouco, verdades (ou mentiras) são reveladas, e é difícil saber em qual das versões devemos acreditar. Tudo se complica quando pessoas parcialmente envolvidas no primeiro acidente entram na jogada, dispostos a qualquer coisa para, num cenário de mentiras camufladas de verdade, encontrarem a verdade absoluta.

Não há outra forma de descrever o filme que não seja misterioso, angustiante e espetacular. A relação de Adrián com todos ao seu redor, principalmente com Laura (a respeito de resolver as cagadas que fizeram), mostra como alguém poderoso também pode ser manipulador. Mesmo sabendo que há apenas uma verdade, várias possibilidades são mostradas e, até a última cena, é difícil saber qual das versões é a verdade.

Cada um dos atores faz um trabalho impecável, e isso só contribui para que acreditemos que o que ele está falando é, de fato, real. Entretanto, o grande clímax fica para a cena final, onde a revelação é maior que qualquer outra que tenha acontecido durante o filme, deixando-nos de queixo caído e refletindo sobre como tal coisa seria possível. Mas, acima de tudo, deixa-nos uma mensagem importante: quando há uma verdade a ser revelada, sempre haverá alguém louco o bastante para desenterrá-la, não importa o quão fundo precise cavar.

Um suspense de respeito, que te deixará perplexo. Se ainda não assistiu, corra. O filme está disponível na Netflix.

Nota:


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