28/12/2018

[Crítica] Black Mirror: Bandersnatch



Black Mirror sempre foi conhecida por mostrar não só benefícios, mas também as consequências de novas tecnologias, e por isso sempre teve um grande público fã. Há pouco tempo, a Netflix divulgou que haveria uma espécie de filme interativo, chamado Black Mirror: Bandersnatch. Fiquei pensando: não tomo decisões certas nem na minha vida, como poderia tomar as decisões por outra pessoa? 


Claro, a questão de um filme onde podemos tomar decisões pelos personagens é muito divertida, mas Black Mirror: Bandersnatch vai muito além disso.
Tudo começa com o fato de que não há uma barra de duração. E como poderia? Você toma decisões pelo personagem e, dependendo de cada decisão tomada, a história pode acabar mais cedo ou mais tarde. Parece algo simples, mas não é. Há cinco finais alternativos, e mais de um trilhão de possibilidades de história. Ou seja, você poderia assistir esse filme durante vários dias, e cada dia a história aconteceria de uma forma diferente. Bizarro, né?


A história, que se passa em 1984, nos apresenta Stefan, um jovem programador que está desenvolvendo o jogo Bandersnatch, baseado no livro homônimo. No livro, o autor prepara vários cenários alternativos, onde cada escolha do leitor levará àquela realidade alternativa. Stefan quer fazer o mesmo em seu jogo.


 Assim como no jogo desenvolvido por Stefan, temos dez segundos para tomar uma decisão, que pode ser algo bobo como escolher entre dois sabores de cereais ou decidir entre visitar a psicóloga ou seguir alguém na rua.

Parece só um filme, mas nos mostra que, constantemente, estamos sendo manipulados, seja pela mídia ou por outra pessoa. Mostra que nem todas as decisões que tomamos afetam só nós. Algumas podem afetar várias outras pessoas, o que acabaria gerando ramificações no espaço-tempo, com várias possibilidades de decisões.

Imagine que você pode escolher subir em dois ônibus diferentes (os dois vão para o mesmo lugar). Se você optar por subir em um, ele pode estar com a lotação completa, o que significaria que ninguém mais poderia ir sentado, mas só em pé. Após você, outras pessoas tentariam pegar o mesmo ônibus. Alguma delas poderia tropeçar durante o trajeto e, devido à lotação, o ônibus também poderia se atrasar. O ônibus se atrasa, os passageiros se atrasam. Consultas perdidas, atrasos no trabalho e escola...

Agora imagine se você tivesse pegado o segundo ônibus, e as outras pessoas tivessem decidido ir a pé. O ônibus não estaria com a lotação completa e, quem estivesse nele, chegaria a tempo em seu destino.
É essa a premissa do filme. Podemos controlar as decisões do personagem, como se ele fosse o protagonista do nosso próprio jogo. Nossa própria marionete. Infelizmente, isso também acaba acontecendo no mundo real. Pessoas manipulando outras pessoas, ou até mesmo dados e resultados, apenas para obter aquilo que querem. Às vezes nem percebemos, mas nosso livre-arbítrio não é tão livre assim, e acabamos sendo igualmente manipulados a tomar uma decisão que não queremos. Como se uma força maior estivesse controlando nosso destino.

Ao menos na versão que assisti, no fim, acabamos contando ao protagonista que ele é só o personagem de algo que estamos assistindo na Netflix, no século 21, o que o faz questionar a própria sanidade. Afinal, ele estaria ficando louco, ou sua vida estaria sendo controlada por alguém do futuro, numa plataforma de entretenimento?

Claro, outros finais seriam possíveis, dependendo da escolha de cada usuário, mas Black Mirror: Bandersnatch mostra principalmente um novo potencial para o entretenimento moderno. Afinal, imagine como seria um filme de romance, onde podemos decidir se os protagonistas ficam ou não juntos no fim? E um filme de terror? Poderíamos ser os sobreviventes ou o vilão assassino.

Podem ser só possibilidades, mas Bandersnatch veio para provar que tais possibilidades são cada vez mais possíveis de serem realizadas.

Nota:


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