07/06/2018

[Resenha] Justiça Ancilar



Ficha Técnica:

Justiça Ancilar
Autora: Ann Leckie
Ano de publicação: 2018
Nº de páginas: 384

Não é de hoje que a ficção científica vem caindo cada vez mais no gosto dos leitores. Se, no Brasil. ela ainda busca seu lugar ao sol, lá fora sai um novo livro do tema por semana. E isso soa até injusto, porque o gênero nos entrega livros ótimos. Muitos, inclusive, ganhadores de vários prêmios.

No Brasil, a editora Aleph tenta mudar esse cenário. Trouxe-nos o maravilhoso Duna, além de vários outros e, recentemente, trouxe-nos Justiça Ancilar, livro de estreia da autora Ann Leckie. E, se tem alguma dúvida de que esse livro é bom, ou se ele vale a pena, saiba que, mesmo sendo o livro de estreia da autora, é vencedor dos prêmios Hugo, Nebula, Locus, Arthur C. Clarke e BSFA. Tá bom ou quer mais?


Antes de tudo, um conselho: leia esse livro com um caderno do lado, e faça o máximo de anotações que puder.


A história se passa num planeta remoto, gelado pra caramba. Mas não é um friozinho qualquer que vai parara Breq. No passado, Breq fora a NAVE (isso mesmo que você leu) Justiça de Toren, um porta-tropas gigantesco, com uma única inteligência artificial, que habitava e controlava o corpo de milhares de soldados. É, eu sei, é um pouquinho complicado de entender, então farei uma breve explicação:

O Império Radch, liderado por Anaander Mianaai, busca a plena civilidade por meio da assimilação violenta dos demais povos da galáxia. Justiça de Toren é a nave porta-tropas do Império, e foi fabricada há dois mil anos. A hierarquia da nave é baseada em: capitão, oficial e ancilar. Ancilares são habitantes dos sistemas dominados pelo Império que se tornam extensões orgânicas da nave, através do uso de seus corpos pela inteligência artificial da nave. Breq era Ancilar da Justiça de Toren. 

Durante dezenove anos, Breq se escondeu, buscando vingança. Durante sua jornada, ela encontra Seivarden, uma de suas ex-capitãs durante seu tempo de trabalho, que ficou congelada durante mil anos e, logicamente, está desnorteada, por ter perdido tantos acontecimentos. Porém, mesmo sem saber direito as intenções daquela que salvou sua vida, Seivarden decide acompanhá-la em sua jornada.




A história é narrada em dois pontos, no passado, quando Breq ainda era a Justiça de Toren, e no presente, com a jornada de Breq e Seivarden em busca de vingança. Não vou mentir, as primeiras cem páginas do livro são realmente complicadas. Até você assimilar tudo, e entender quem é quem, leva um tempinho. Entretanto, quando você entende tudo, a história simplesmente "voa" (ba dum tss), principalmente o último terço, que possui um ritmo frenético, cheio de ação e revelações. A autora não te dá tempo para respirar.

A trama é muito interessante, e ainda mais complexa. Como disse no começo do post, a literatura sci-fi ainda tem poucos leitores aqui no Brasil, e acabou de conseguir mais um fã. Ann Leckie criou uma história ótima, e não é difícil saber por que venceu os maiores prêmios literários. Algo que me interessou bastante foi o sistema de linguagem. Há vários idiomas, e o radchaai, idioma do império Radch, não tem flexão de gênero, assim como vários idiomas reais. Por isso, a autora preferiu escrever flexionando apenas para o gênero feminino (mesmo que, para o povo, o gênero em si não seja tão relevante).

Se você gosta de space opera, Justiça Ancilar é uma ótima pedida. Se você nunca leu nada do gênero, é um ótimo ponto de partida. E ah, não se esqueça. Justiça Ancilar é o primeiro livro da trilogia Império Radch.

Nota:




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