11/05/2018

[Resenha] A Incendiária



Ficha Técnica:

A Incendiária
Autor: Stephen King
Ano de publicação: 2018
Nº de páginas: 448

Stephen King, além de ser um de meus autores favoritos (e minha inspiração, uma vez que também escrevo terror), também é um dos maiores autores da atualidade. Porém, A Incendiária, um de seus primeiros livros, nos mostra que o autor já tinha uma qualidade de narração absurda.


Em 2016, a Editora Suma criou a Biblioteca Stephen King, um "selo" dentro da própria Suma, voltado apenas para livros do autor (dã). Porém, não seriam publicações comuns. O foco do selo Biblioteca Stephen King é publicar livros icônicos do autor, sendo que A Incendiária é o quarto livro desse selo (antes, tivemos Cujo, A Hora do Lobisomem e O Iluminado). Os livros são em capa dura, com uma diagramação ainda mais especial que o normal, sem contar que cada livro do selo Biblioteca conta com um extra (em Cujo, por exemplo, uma entrevista com o próprio King).

A Incendiária nos apresenta Andy McGee e Charlie McGee, pai e filha, que estão num eterno plano de fuga, com o único objetivo de escapar d'A Oficina. Quando ainda estava na faculdade, e precisando muito de grana (não tá fácil ser universitário), Andy aceitou participar de um projeto secreto, que lhe renderia 200 dólares. Fácil.

Porém, o experimento ia um pouco mais longe. Era tudo obra de um grupo conhecida como A Oficina. O objetivo deles era alterar o cérebro humano, de forma que as "cobaias" pudessem desenvolver algo além da capacidade humana. Das doze cobaias que receberam o Lote Seis (droga utilizada no experimento), a maioria morreu. Andy sobreviveu. Vicky também. Os dois se apaixonaram e tiveram uma filha. Deveria ser só uma história de amor que começou de modo esquisito e acabou bem pra todo mundo, mas a história não é bem assim.

Se Andy e Vicky acabaram adquirindo as tais habilidades que a Oficina desejava, (Andy consegue, de certa forma, hipnotizar pessoas, sugerindo coisas, de forma que elas façam isso como se fosse algo natural). Charlie herdou algo ainda mais poderoso: a garota podia produzir fogo com a mente, e a extensão de seus poderes era um mistério pra todo mundo. Ciente disso, a Oficina parte atrás da família McGee, com o intuito de transformar Charlie numa arma militar.




Como em seus outros livros, King foca muito nos sentimentos de seus personagens, e isso faz com que a gente se apegue demais à eles. Queremos que eles escapem, que sobrevivam. Porém, nem só os bons personagens foram bem-desenvolvidos. Os vilões também foram, e temos aqui uma pequena amostra de quão cruel o ser humano pode ser.

Considerado o mestre do terror, podemos dizer que King foge um pouco da sua zona de conforto em A Incendiária, já que o livro corre mais para o lado do suspense / ficção científica. E o autor não teve medo de usar coisas realmente ruins do mundo real como pano de fundo (há fatos que comprovam o teste de drogas e experimentos em humanos, para desenvolvimento de poderes psíquicos [Projeto Moutauk: projeto real que inspirou a série Stranger Things]). E não, fugir da zona de conforto não é algo ruim. Muito pelo contrário. King nos entregou uma história densa, muito bem contada e desenvolvida. Mostra como, movido pela ganância e pelo desejo de poder, o ser humano pode ser tão cruel quanto os monstros que nossos pais nos falavam, para nos assustar. 

Nota: 






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