13/01/2018

[Resenha] A Quinta Estação



Ficha Técnica

A Quinta Estação
Autora: N. K. Jemisin 
Ano de Lançamento: 2017
Nº de Páginas: 556

É assim que o mundo termina. Pela última vez.

Como vocês sabem, ainda estou mergulhando de boia nesse gigantesco oceano que é a literatura fantástica. Li poucos livros do gênero, é verdade, mas me encantei muito com o que vi até aqui. Felizmente, A Quinta Estação está nessa lista de livros que são surpreendentemente bons.

Se livros de fantasia precisam ser épicos, a autora acertou em cheio. Mitologia própria, cultura própria e uma trama que, aos poucos, se conecta de forma espetacular. A Quinta Estação, vencedor do Hugo Awards, é o primeiro livro da trilogia A Terra Partida. 

As Estações citadas funcionam como uma atualização do mundo onde a história se passa. O fim de uma história é só o começo de outra. Quando dizemos que o mundo acaba, normalmente é um exagero, pois o planeta está bem. Cada Estação tem uma duração diferente mas, no fim, em todas elas, quase todo mundo morre, e só os mais fortes continuarão de pé.

Jemisin nos apresenta 3 pontos de vista diferentes:

Damaya, uma garotinha orogene (orogene é aquele que empunha o poder da terra como uma arma. Nem todos aprovam sua existência, mas é assim que as coisas são) que é guiada por um Guardião para desenvolver seus poderes;


Essun, uma mulher que retorna para casa e descobre que, além de ter matado seu filho, seu marido sumiu com sua filha. A garotinha pode ter morrido, ou ainda pode estar nas mãos terríveis do pai, já que seu corpo não foi encontrado;

Syenite, que é enviada para uma missão pelo Fulcro, uma ordem paramilitar criada após a Estação dos Dentes. Orogenes treinados pelo Fulcro (Syenite é uma delas) têm permissão legal para usar seus poderes. Nessa missão, ela acabará entendendo que, não importa quantas estações passem, o Fulcro nunca será confiável, muito menos os guardiões. Nenhum orogene está totalmente seguro.

"Inverno, primavera, verão, outono; a Morte é a 
quinta e ocupa o trono." (página 182)



No começo, a história é um tanto arrastada, confesso, pois a autora ainda está nos introduzindo àquele mundo. Porém, quando já nos familiarizamos com tudo, a história se desenvolve de uma forma brilhante. Cada um dos personagens é muito bem desenvolvido. Alabaster (um orogene dez-anéis que é enviado na missão junto com Syen. O poder de um orogene é medido pela quantidade de anéis que ele tem. O número máximo é dez. Syen é uma quatro-anéis) é um grande personagem, e ajuda muito no desenvolvimento de Syenite. 

"...o que se quebrou uma vez se quebrará de novo, com mais facilidade." (página 507)

Nem tudo são flores. Nunca foram, e nunca serão. Conforme a história se passa, os personagens contam um pouco sobre como foram as outras Estações. Mesmo sabendo um pouco mais sobre esse universo criado pela autora, ainda mais perguntas são deixadas no ar. A mitologia criada para a trilogia é realmente vasta e, pelo visto, foi devidamente explorada por Jemisin (The Obelisk Gate, segundo livro da trilogia, também é vencedor do Hugo Awards). 

Junto ao universo próprio criado pela autora, temos uma narração que só melhora tudo. A escrita de Jemisin é fácil, e um tanto quanto poética. Uma das narrações, inclusive, é escrita diretamente para nós, como se o leitor fosse o personagem. Num geral, A Quinta Estação me surpreendeu. Pensei que era só mais um livro, mas acabou sendo o livro. Destaque para a edição da Morro Branco. A capa é simplesmente linda, e a diagramação está impecável. Ponto positivo para a editora, que está ganhando cada vez mais meu respeito. 

Nota: 




Um comentário:

  1. Caramba! Esse proposta me chamou muito a atenção!! Pelo visto as personagens femininas são bem poderosas, né? Criando um aspecto super GIRL POWER (amo). Amei a resenha! Parabéns!
    Squadofreaders.blogspot.com.br

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