01/12/2017

[Resenha] Elantris



Ficha Técnica:


Elantris
Autor: Brandon Sanderson
Ano de Lançamento: 2012
Nº de Páginas: 576

A história de Elantris

Elantris brilhava como nenhuma outra cidade, tinha luz própria e com certeza era a mais bonita, não só de Arelon, mas de Sycla inteira. Mais divino ainda eram seus habitantes: cabelos brancos brilhantes, pele praticamente prateada, também brilhante.

Não era só isso. Os Elantrinos tinham poderes, podiam desenhar símbolos (aons) no ar, que eram capazes até de curar.
A Shaod (transformação de alguém comum em Elantrino), podia alcançar qualquer um, desde um nobre, até o mais pobre dos homens.

Mas tudo isso não passa de lembranças há 10 anos...

Chamam de Reod, uma tempestade tão grande que criou um abismo. Algo mudou após aquela tempestade, Elantris não era mais a mesma. Todos assistiram a queda da cidade e de seus habitantes.
Com Elantris fora de cena, a politica de Arelon ficou frágil. Iadon, o mercador mais rico e influente na época, tornou-se o rei, estabelecendo um novo governo: Os mais ricos seriam nobres enquanto os mais pobres seriam tratados como se fossem escravos.
O príncipe Raoden, diferentemente do pai, era amado e respeitado pelo povo, seu carisma, sua inteligencia e sua preocupação com Arelon permitia que todos sentissem esperança e ansiassem por tempos melhores.
Até que uma manhã, Raoden descobriu algo que nunca imaginara acontecer consigo: Fora tomado pela Shaod.

Não tinha a pele prateada, como costumava ser antes do Reod, era cheia de manchas escuras, o cabelo caia até ficar careca, o coração não batia mais e a menor das dores infernizava-o para sempre, sem nunca parar. 
Como todos os outros, Raoden foi trancafiado em Elantris, onde a sujeira e a podridão eram tamanhas, que quase não dá para acreditar que a cidade um dia fora aquilo tudo.





Conflitos


Shu Dereth e Shu Korath. Ambas as religiões descendentes do mesmo principio, da mesma crença, e mesmo assim são diferentes e até mesmo inimigas.
Jaddeth é o Deus do Shu Dereth, e apenas uma pessoa pode servi-lo diretamente: Wyrn, de acordo com a hierarquia (ex: Artefh seguem Gyorns, que seguem Wyrn, que segue Jaddeth).

Hraten é um Gyorn, e tem uma única missão: converter Arelon ao Shu dereth em apenas 3 meses. Começando por Kae, onde reside o rei Iadon, uma das quatros cidades que cercam Elantris, e a única que permaneceu em pé. Ele não quer um massacre, e também não precisa de um povo totalmente convertido, tudo que ele precisa é que o rei declare-se seguidor da religião, assim o Shu Dereth dominará Arelon, e não haverá escolha para teod, terá que se render, e assim, Fjorden dominará todo o continente.
Porém a tarefa se mostrou mais difícil do que aparentava ao tentar entender seus conflitos internos, lidar com o estranho Dillaf, um artefh fanático pelo Shu Dereth e  principalmente Sarene.

Sarene, princesa de Teod, iria se casar com Raoden, apesar de ser um casamento com o propósito de formar aliança entre Teod e Arelon, a garota estava ansiosa, havia conversado com o principe apenas por Ashe, seu Seon (antigas bolas brilhantes azuis e flutuantes), e gostou muito de  quem o príncipe parecia ser.
Inteligente e forte, Sarene desconfia que há algo por trás da misteriosa e repentina morte de seu noivo, decidida a investigar e descobrir as respostas que precisa. Ela também é a unica que percebe o quão perigoso pode ser um gyor em Kae, e apesar de não entender porque o Gyorn teimava em fazer com que todos acreditassem que os Elantrinos eram o inimigo, que mereciam o ódio, se viu obrigada a tentar exatamente o oposto: fazer que o povo de Kae não ignorasse a grande muralha de Elantris, nem os que estavam atrás dela, e que não os temessem.

Enquanto isso, Raoden tentava enxergar Elantris como sua nova casa.
A cidade era dividida por três gangues, a de Shaor, Aanden e de Karata. Os homens de Shaor eram a maioria, quase todos eram Roed (Elantrinos que foram consumidos pela fome e pela dor, e perdiam a consciência, apenas gemiam de dor e pediam por comida), ou próximos de se tornar um. 
Junto com Galladon, um Dula pessimista que ele se aliou e se tornou um grande amigo, Raoden demonstra porque era tão amado, e da a Elantris uma nova esperança.


Os capítulos tem em média 10 paginas, e cada um deles tem o ponto de vista de um personagem, narrado na terceira pessoa. A ordem dos capítulos é sempre começando com Raoden, Sarene e então Hraten.
O desenvolvimento dos personagens e da história é impecável. Pode se dizer que Brandon Sanderson acertou em cheio em seu primeiro romance. 
O livro é de fácil leitura, e tem personagens cativantes, como os próprios protagonista. Sarene se tornou fácil uma de minhas personagens favoritas na literatura, muitas vezes enxergando o que ninguém percebeu. Já Raoden, não consegui em nenhum momento da leitura parar de me preocupar com ele. Até mesmo de Hraten, um vilão orgulhoso, me deixei gostar, e isso é a primeira vez que acontece. 

A escrita de Brandon Sanderson é inteligente, cheia de diálogos interessantes, pensamentos sobre a politica e ideias de como contornar todo o caos em que eles vivem. O escritor não exitou ao colocar personagens tão decididos e empenhados.
O que eu mais gostei na narrativa de Sanderson é que ele tem paciência de inserir tudo no seu devido tempo, as coisas não surgem do nada, sempre há um por que por trás das ações dos personagens ou dos acontecimentos em geral, mesmo que as vezes não conseguimos enxergar, e simplesmente ignoramos tal fato, mais para frente o autor dará as cartas e você ira pensar "Ahhhhhh". 

Quando terminei de ler, lamentei não ter uma continuação, será que ainda é tarde para ter esperança de que venha uma? Bom, se eu li esse livro direito (e eu li!), então sei que não devo parar de esperar que o melhor aconteça sempre, e o melhor definitivamente é me reencontrar com esses personagem uma outra vez. 


Nota:

















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