07/05/2017

[Resenha] Boneco de Pano

Você já leu um livro tão bom a ponto de passar a noite toda acordado, só para lê-lo? Foi exatamente o que fiz com Boneco de Pano, e valeu a pena cada segundo. Conheci o livro no dia de seu lançamento, comprei-o ontem e cá estou, fazendo a resenha desse livrão.

Antes de tudo, gostaria de parabenizar o autor estreante Daniel Cole. O cara era paramédico e foi membro da Guarda Costeira Real, e suas profissões contribuíram de forma excepcional para o desenvolvimento da história.
O detetive William Oliver Layton-Falkes, também chamado de Wolf (suas iniciais), é bem famoso em Londres, ainda mais depois de quase matar um réu num tribunal. O motivo? O cara matou 27 prostitutas em 27 dias, cada uma tendo entre 14 e 16 anos. Após 46 dias de julgamento, o Cremador, como ficou conhecido, pois queimava suas vítimas até a morte, foi julgado INOCENTE. Wolf partiu pra cima do réu e espancou-o. Após isso, foi afastado do serviço, perdeu a esposa, teve de passar por tratamento psicológico. É, não estava fácil pra ninguém, muito menos pro nosso detetive.

Quatro anos se passaram desde o incidente de Wolf no tribunal. É um sábado à noite, e é folga de Wolf. Era. Ele recebe uma ligação no meio da noite, de seu chefe, pedindo para ajudá-lo num caso. Mas não um simples caso. Simmons disse que aquele era um caso único, que raramente um detetive veria duas vezes. Wolf vai até o local. Há um único corpo pendurado, mas seis vítimas. Isso mesmo. O assassino matou seis vítimas e montou um corpo novo, com parte das vítimas, costurando tudo como se estivesse fazendo um boneco de pano. Wolf logo reconhece a cabeça do boneco. É Naguib Khalid, o Cremador. Mesmo tendo certeza disso, ele pede que Emily, sua amiga e companheira de departamento, vá até o local onde Naguib deveria estar preso. Enquanto isso, ele fica atônito, não somente pela situação, mas porque o Boneco de Pano estava apontando para a janela de seu apartamento, do outro lado da rua.
Andrea, jornalista renomada e ex-esposa de Wolf, tenta conversar com o detetive enquanto o mesmo dá uma coletiva de imprensa, falando sobre o Boneco de Pano. Supostamente, o assassino enviou para Andrea fotos do assassinato, assim como uma lista de nomes e datas. Seus próximos alvos, e as datas em que eles seriam assassinados. Como se isso não fosse surpreendente o bastante, há ainda um porém: Wolf é o último nome da lista.
Inicia-se uma busca frenética. A Polícia Metropolitana de Londres corre contra o tempo para descobrir quem eram as seis vítimas que formavam o Boneco de Pano e a conexão entre elas, ao mesmo tempo em que tentavam proteger as pessoas da lista e descobrir quem era o tal assassino sádico, ou seja, se o trabalho de um detetive é puxado, a correria multiplicou-se por três.
Cada um à sua maneira, os detetives encarregam-se de investigar cada vez mais fundo a situação. Edmunds, um jovem franzino que acabara de ser transferido do Departamento de Fraudes, tenta dar seu melhor, mas a casca-grossa Emily acaba pegando no pé do rapaz, mas deixa-o em paz quando ele revela-se um exímio detetive, e essa acaba sendo a graça de tudo. Todo mundo encontrando provas nos lugares mais prováveis, e Edmunds encontra provas nos lugares mais improváveis, contribuindo cada vez mais para a investigação. Porém, nem tudo são flores (leia o livro, e vai entender o humor negro contido nessa frase) e, a cada descoberta, a investigação acaba tornando-se um buraco cada vez mais profundo, e os detetives já não sabem mais o que fazer ou em quem confiar, pois o assassino parece estar sempre dois passos à frente do grupo investigativo.
Reviravoltas acontecem nesse jogo de gato e rato, onde até mesmo um dos gatos tornam-se suspeitos dos assassinatos. Infelizmente, os outros gatos têm TODAS as provas para provar tal coisa, por mais improvável que pareça. O passado de Wolf é revelado aos poucos, ao mesmo tempo em que ele mostra-se um incrível detetive, assim como seus companheiros, cada um com suas próprias qualidades e defeitos. Com o decorrer da história, percebemos que talvez estejamos confiando nas pessoas erradas e desconfiando das certas.
Daniel Cole escreve o livro com maestria. Como dito anteriormente, suas profissões contribuíram muito para a construção da história, e o mesmo revelou-se um incrível autor. A história é contada com detalhes e, com pontos de vistas diferentes em situações diferentes, o leitor sente-se cada vez mais atraído e submerso na investigação, torcendo tanto quanto os detetives para descobrir de uma vez quem é o Bonequeiro.Cada personagem, por mais curta que seja sua participação na história, contribui de alguma forma para a investigação, principalmente Edmunds, que se tornou um de meus personagens favoritos em livros de romance policial. Até mesmo Andrea, ex-mulher de Wolf, tenta ajudar. Claro, no fundo, ela só quer ver sua carreira de jornalista subir, mas ela também sabe que quer livrar a cabeça do ex-marido.
O livro é cheio de reviravoltas, e não duvido que você solte um puta que pariu em algumas descobertas realizadas. E não se estranhe com o palavrão. O livro é cheio deles.
Se tinha alguma dúvida quanto ao livro, pode ler sem medo, caro leitor. De um simples livro em uma wishlist, Boneco de Pano tornou-se um de meus livros favoritos.

Diz aí: Se você é o Diabo, então eu sou o quê?

Nota:

2 comentários:

  1. Eita! Depois dessa sua resenha eu quero ler esse livro agora kkk

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pare qualquer livro que esteja lendo e leia esse. Sério. Você vai amar. É impossível largar antes de descobrir tudo kkk

      Excluir