19/01/2017

[Resenha] Mr. Mercedes

Existem vários tipos de livros, e você já leu vários deles durante sua vida:

Bons: o autor faz a lição de casa e nos entrega um trabalho bacana;
Ótimos: o autor vai além, criando algo que deixará o leitor acordado durante várias noites, pensando naquela história;
Excelente (ou MEU DEUS, QUE LIVRO FOI ESSE?): acho que a reação diz tudo.

Já li livros bons e livros ótimos, inclusive do próprio Stephen King, mas Mr. Mercedes com certeza merece o selo Excelente (ou MEU DEUS, QUE LIVRO FOI ESSE?). Se o livro é tão bom assim? Não. Ele é muito melhor do que você imagina.

Antes de tudo, Mr. Mercedes é um livro diferente de tudo que você já leu e, antes que diga que isso é spoiler, essa informação está na capa do livro. Alguém dirigindo um Mercedes atropela e mata oito pessoas, deixando várias outras feridas. O livro é contado em dois pontos de vista: o do detetive Bill Hodges, um ex-policial aposentado, que se culpa por causa de um único caso que ele não resolveu: o do Assassino do Mercedes; e de Brady Hartsfield, o próprio Assassino do Mercedes! Isso mesmo, o livro é contado do ponto de vista do detetive e do assassino. E dá muito certo.
Hodges está aposentado, e não há muito a se fazer além de passar o dia todo vendo TV. Brady trabalha como técnico em informática e, em meio período, trabalha como sorveteiro. Não é a melhor vida do mundo e, como se não fosse o bastante, ainda mora com a mãe alcoólatra. Quando sua vida está ruim, o que você faz? Inova.
Cansado de tudo o que está acontecendo, Brady decide cutucar onça com vara curta, e manda uma carta para o detetive Hodges, declarando ser o Assassino do Mercedes. A carta é anônima, claro, mas desperta o interesse de Hodges em prender o desgraçado. Hodges é atraído, claro, e passa a investigar o caso por conta própria, mesmo não tendo licença para fazer tal coisa.
O Assassino do Mercedes está vigiando-o, e ele sabe disso, então decide revidar com a mesma moeda. Numa sala de bate-papo segura o bastante onde ambos conversam, Brady passa a provocar Hodges, que devolve as provocações. Como esperado, o tiro sai pela culatra, e quem acaba perdendo a paciência é Brady, e não Hodges.
Brady está decidido a aposentar Bill de uma vez por todas, e fará o que for necessário para ver isso acontecendo, mesmo que custe sua própria vida. Ele já não se importa mais, desde que acabe com Hodges. O detetive não tem mais trinta anos, mas corre contra o tempo para impedir que o Assassino do Mercedes aja novamente. Ele tem medo de que, se o Assassino agir, o evento seja algo muito maior do que aconteceu no City Center no ano anterior.
Como dito na capa, há três heróis improváveis. Bill está investigando o caso do Assassino do Mercedes e, de fato, seus ajudantes são duas pessoas improváveis. Não pense que é alguém que trabalhou com ele na polícia ou algo do tipo. Está mais para dono do bar da esquina, ou professora do ensino fundamental. É esse tipo de herói improvável.
A história é bem construída, mostrando bastante coisa do passado de Brady, e nós acabamos entendendo por que ele se tornou esse monstro. Talvez a motivação de Brady seja algo realmente importante para ele, ou talvez ele só queira ver o circo pegar fogo; Bill Hodges, recebendo ajuda, coloca todos os seus anos de prática à prova, e também descobrimos que ele não ganhou tantas premiações à toa. Entretanto, esse caso pode ser o mais complicado de sua vida, pois de uma coisa ele sabe: lá fora, na escuridão, o Assassino do Mercedes está observando-o, e ele pode atacar a qualquer momento.
A leitura é fluida, de forma que você não se cansa de ler. Quando algo está prestes a acontecer de um dos lados da narração, ela pula para o outro narrador, e você simplesmente continua a ler, pois precisa saber o que diabos vai acontecer. Você torce para que os heróis sejam rápidos o bastante pois, conforme a história avança, o plano de Brady fica cada vez mais insano. Se você gosta de literatura policial, Mr. Mercedes é a cereja do bolo.

Nota:

2 comentários:

  1. Eita, parece incrível! E a resenha ficou muito boa :3

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    Respostas
    1. Ele é maravilhoso! Sabe quando tu fica alguns anos longe de casa e, quando volta, sua mãe faz A LASANHA? Esse livro é essa lasanha.
      Obrigado :3

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