16/01/2017

[Resenha] Cujo

Ah, Stephen King. Aquele autor que fará você passar noites acordado, lendo seus livros. Depois, passará ainda mais noites acordado, sem conseguir dormir. Talvez de medo, talvez imaginando a história em sua mente. Se você ainda não conhece o autor, deveria.
Entretanto, não aconselho que comece com Cujo, e eu vou explicar o motivo. Se acalmem, o livro é ótimo, e o motivo também.
Cujo é um dos primeiros livros de Stephen King e, quando veio para o Brasil, ganhou o esquisito título Cão Raivoso. Poxa, tradutores! Mas sempre há uma luz no fim do túnel. A Suma de Letras, editora responsável por publicar os livro de King aqui no Brasil, adquiriu os direitos de publicação de livros antigos do autor. Para comemorar isso, a editora lançou um selo especialmente para livros do autor, intitulado Biblioteca Stephen King. Aliás, o próximo livro a ser publicado por esse selo é A Hora do Lobisomem.


Nota sobre o livro: edição está maravilhosa. O livro é capa dura. Sabe essa patinha na capa? Ela é em alto relevo. Dá vontade de ter o livro só pela capa.
Cujo se passa em Castle Rock, uma cidadezinha do Maine. Como de praxe nas histórias de King, o livro não tem um único protagonista. A história é contada pelo ponto de vista de vários personagens.
Cujo é um são-bernardo de noventa quilos, mas é tão inofensivo quanto uma mosca. É um cão adorável, e seria uma pena se ele resolvesse atacar alguém. Bom, isso acontece, mas não porque nosso amiguinho quis. Ao perseguir um coelho, acaba sendo mordido por um morcego com raiva. É, nosso querido amigo de noventa quilos contrai raiva. Que mal teria num são-bernardo com raiva?
É a partir daí que dá tudo errado. King fez algo bem legal nesse livro. Até mesmo Cujo teve um ponto de vista, descrevendo como se sentia. Ele não queria morder ninguém, mas aquela vontade dentro de si é mais forte do que tudo.
A partir daí, vira uma bola de neve. Cada personagem lidando com seus próprios problemas, mas nada se compara a ficar cara a cara com Cujo.
Vic, marido de Donna e pai de Tad precisa viajar a negócios com seu amigo. Ele foi para a viagem, mesmo após saber algo drástico sobre sua esposa. Enquanto Vic está fora, Donna precisa levar o velho Corcel até a casa / oficina de Joe Camber, dono de Cujo, pois o carro está com problemas. O carro morre, e Donna não consegue sair dali. Ela poderia pedir ajuda, exceto pelo fato de que, do lado de fora, havia um são-bernardo de noventa quilos com raiva. Sabe quando você está andando de bicicleta e cinco cachorros avançam em você? Cujo é mais assustador do que esses cinco cachorros juntos. Fome, desidratação, calor e a vontade de sair dali atormentam Donna. Durante a noite, ainda é fresco, mas imagine ficar preso dentro de um carro durante um dia ensolarado. É quente pra burro. Mas isso não importa. Ela só quer sair dali e levar o pequeno Tad Trenton para casa.
Os personagens são bem desenvolvidos e, por mais que cada um tenha feito algo de ruim, você torce para que ele consiga resolver o problema e ficar de consciência tranquila. Cujo é um livro sobre aprendizado e aceitação. King nos mostra que, mesmo após tragédias, você precisa aprender a perdoar e seguir em frente. Essa é a vida, e ela não vai parar. Para quem já é fã de King, esse é um prato cheio, mas nem mesmo os fãs mais antigos estavam preparados para aquele final. Se você está lendo essa resenha e nunca leu nada de Stephen King, não deixe que Cujo seja seu primeiro livro. Você ainda não está preparado para o final do livro.

Nota:

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