17/04/2016

[Creepypastas] Dia da Mentira

A creepypasta a seguir é baseada em fatos reais:



O relato a seguir aconteceu quando eu tinha nove anos. Porém, não importa quanto tempo passe, eu nunca esquecerei do que aconteceu naquele dia.

Eu estava na terceira série, e estudava no período da tarde. O intervalo das aulas costumava ser um pouco diferente do que é agora. Atualmente, quando toca o sinal para o intervalo, as crianças se alimentam e aproveitam o resto daquele tempo para brincar um pouco. Naquela época, haviam “dois” intervalos. Suponha que o intervalo, de fato, começasse às 15h. Às 14h30, nós saíamos para comer, e voltávamos para nossa sala às 14h45. Às 15h, nós saíamos apenas para brincar. Se eu sabia por que era dessa forma? Não, não sabia. Pra falar a verdade, não sei até hoje.

Estávamos em algum dia do fim de março. A refeição daquele dia era macarrão e, particularmente, nunca fui muito fã de macarrão. Mesmo assim, servi-me com um pouco de macarrão ao molho e sentei-me com meus amigos. Cada um atacava seu prato de forma violenta, como se aquela fosse a melhor refeição do mundo. Eu, pelo contrário, apenas brincava com a comida. Meus amigos perceberam isso e, após perguntarem qual era o problema, acabei lhes contando a verdade. Eles apenas assentiram, dizendo que me entendiam, e disseram que eu apenas deveria voltar com o prato até a merendeira ou, como a chamávamos carinhosamente, “tia da cozinha.”

Levantei-me da mesa e fui até lá. Porém, no meio do caminho, fui interrompido pela inspetora, uma senhora baixinha e mestiça, que me forçou a voltar para a mesa e terminar de comer o que havia em meu prato. Sem ter muito o que fazer, acabei voltando para a mesa, enquanto via meus amigos voltarem para a sala de aula. Até mesmo minha professora perguntou por que eu havia voltado. Menti para ela, dizendo que havia pegado um pouco mais de macarrão, mas que logo voltaria para a sala. Ela assentiu e, junto com minha turma, voltou para a sala. Contendo as lágrimas, por vergonha, terminei de comer o que havia em meu prato e o levei até a cozinha. Ali, naquele momento íntimo, desejei que a inspetora morresse. Quando me aproximei de meus amigos, falei para eles o que havia desejado. Eles se espantaram, mas resolveram não discordar de mim.

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Uma semana se passou, e o dia primeiro de abril chegou. Ah, o famoso Dia da Mentira, onde todos contam mentiras impossíveis. Mas também existem aqueles que usam tal dia para contarem verdades as quais nunca tiveram coragem de contar e depois dizem que é mentira, como dizer que está apaixonado por alguém, e depois usar a desculpa de que é dia da mentira.

Logo que cheguei à aula, naquela tarde, meus amigos vieram correndo em minha direção, dizendo que a inspetora havia morrido. Por ser dia da mentira, eu não acreditei. Entretanto, fiquei preocupado, pois não a vi na escola durante as primeiras aulas. Na hora do intervalo, acabei descobrindo algo que eu não deveria. Fui até a diretora e perguntei sobre a inspetora. Ela me informou que, de fato, ela havia falecido no dia anterior. Naquele instante, eu entrei em estado de choque, mas acabei mentindo que estava tudo bem.

Eis a questão. Ela havia realmente falecido, ou o desejo de uma criança foi forte o bastante para retirar a vida de alguém?


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